sábado, 23 de dezembro de 2017

FOGOS FLORESTAIS - UNIÃO PROGRESSIVA ENTREGA SEGUNDO DONATIVO


A União Progressiva da Freguesia do Colmeal, durante a habitual Festa de Natal realizada no passado dia 10 de Dezembro, no Centro de Cultura e Convívio, entregou um segundo donativo à Junta da União das Freguesias de Cadafaz e Colmeal.

O cheque, no valor de seiscentos euros, foi entregue à Senhora Tesoureira da Junta, na ausência do Senhores Presidente e Secretário. Este montante resultou da simpatia e generosidade, sempre presentes, dos associados que responderam afirmativamente à solicitação que a colectividade havia feito.

Já anteriormente, a União Progressiva havia decidido em reunião de Direcção, fazer entrega à Junta de um cheque de dez mil euros, para poder, como entidade que mais próxima se encontra das situações, acorrer às que sejam consideradas mais gravosas, sabendo de antemão que o processo burocrático de candidaturas é sempre moroso.

A Direcção



INCÊNDIOS DE OUTUBRO. DOIS MESES DEPOIS


Ardeu a 16 de outubro, mas em aldeias próximas já tinha ardido no dia e na semana anteriores. Dois meses depois, persistem o luto e a tristeza da serra, das terras e das almas, sem tréguas ou fuga possível, ande-se para sul, norte, nascente ou poente. Perdas incomensuráveis, inenarráveis, irreparáveis, nomeadamente nos campos da memória, da biodiversidade e do património construído.


O território parece outro, na crueza das suas escarpas xistosas e na evidência do papel do homem na construção da paisagem. Desaparecido o denso manto verde que o cobria, veem-se por toda a parte penhascos novos (!), caminhos antigos, barrocos que desviavam as águas dos terrenos de cultivo, “combâros”, socalcos magros que protegiam da erosão e asseguravam mal o sustento frugal das pessoas, currais agora transformados em ruinas.



Nos olivais, a azeitona jaz no chão atormentada, sem ter dado ao mundo a luz que prometia. Nas zonas de pinhal, o chão e as estradas acastanham da caruma caída, uma ameaça escorregadia como gelo. As árvores de fruto ou continuam de pé desamparadas ou já foram decepadas, umas quase rentes para que renasçam vigorosas, outras mais por cima, tudo dependendo do método de recuperação defendido. Muitas não o farão, tão fundo o fogo cavou em seu corpo indefeso, jovem ou centenário. As feridas abertas lembram bocarras medonhas e frias.








Até agora, choveu muito pouco. Todavia, sem vegetação que retenha a água e a faça penetrar no solo ressequido, o suficiente para somar devastação à devastação. Apressados, negros e lamacentos, os caudais formados precipitaram-se serra abaixo, destruindo terrenos e atolando estradas e rios.

Mas há indícios de esperança! As ervas e os fetos que despontam pujantes a verdejar de diferença, o “tertulho” sem par desabrochado de um fungo que resistiu ao fogo e ao calor intenso, milhares e milhares de formigas amontoadas a manifestarem-se. Por serem assim ou em sinal de desagrado, apresentam o ventre vermelho. Lentamente, as aves que restaram – talvez 5% dos efetivos habituais – vão retomando as suas rotinas, umas usando a água gelada para se limparem da experiência, outas debicando no comedouro novo, criação em xisto com que o Valdemar as brindou. Não chilreiam, ainda mudas de incredulidade e pavor. Sobre os outros animais, há quem diga ter visto um esquilo à procura de castanhas cruas, uma mãe javali com as crias muito enfezadas, uma raposa morta na beira da estrada … Enfim, é a natureza a refazer-se, com o poder regenerador e a generosidade de que os homens ainda a não privaram. Para as cabras, a ADIBER tem trazido comida, de um produtor solidário chegaram dois porquinhos. Muito bonito.











De resto, no que dos humanos e das instituições depende, nada mais aconteceu. Falando apenas da nossa localidade de residência, onde ardeu até dentro de casa, mas apenas uma segunda habitação se perdeu: a água que faltou continua insuficiente; os tubos que arderam, entrapados ou disformes à vista; as bocas-de-incêndio, inexistentes; as telecomunicações ausentes; a floresta consumida, de pé, à espera de mão amiga que a lance à terra e remova, para que possa renascer.


Lisete de Matos

Açor, Colmeal 19 de dezembro de 2017.