02 dezembro 2009

Góis - Câmara aceita sugestões para orçamento

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"Não dar chocolate a quem precisa de pão"
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O resultado do convite do executivo é positivo, mas obriga a estabelecer prioridades. E a procurar fontes de financiamento. Só com o dinheiro da câmara "é impensável". O vice-presidente José Rodrigues e o vereador Mário Garcia deram início aos trabalhos na sala da Biblioteca Municipal, que encheu para um encontro "nunca visto". A ideia é manter o diálogo ao longo de quatro anos e "não só na altura das eleições e quando é necessário pedir votos", disse José Rodrigues. A proximidade está, assim, garantida, e as comissões de melhoramentos e demais instituições do concelho de Góis aproveitam para colocar as necessidades "em dia". A maior parte levou a "lição" por escrito, mas alguns aproveitaram o frente-a-frente com o poder local para pormenorizar. Lucília Simões deu o exemplo: na Portela de Góis, a escada ao fundo da aldeia, os buracos na estrada e a barreira nas traseiras da casa de convívio precisam de atenção. Pelo meio, um dos participantes constatou que a "câmara tem conhecimento dos problemas que davam para 10 orçamentos", mas um outro retorquiu que "é necessário começar por algum lado ". Do Colmeal, além do que falta por fazer por escrito, chegou o convite para a participação na iniciativa "Limpar Portugal", que alguém - bem humorado - questionou no "alcance". A resposta "desiludiu" o curioso cidadão - "são só as lixeiras…" - que pretendia uma "vassourada"… politicamente correcta. Depois, de Cerdeira de Góis, chegou o alerta para a desertificação das aldeias e para os problemas no abastecimento de água. Apesar de a autarquia garantir a qualidade do precioso líquido, muita boa gente recorre a fontes e poços sem controle. No que respeita aos idosos, pelo menos para idas ao médico, o transporte escolar é capaz de ser solução, garantindo uma vez por semana, no intervalo do transporte dos mais novos, as viagens ao centro de saúde. No Liboreiro, o problema do envelhecimento da "população é ainda mais grave: das 100 pessoas restam sete, pelo que o repovoamento é "urgente". As casas e os terrenos abandonados colocam problemas de segurança - incêndios - e sem a melhoria das condições, nomeadamente a alteração do PDM, o que permitiria construir em áreas até agora vedadas, "é impossível fixar jovens". Na lista das necessidades foram incluídas as obras nas instalações dos Bombeiros Voluntários de Góis - aguardam o pagamento, pela RS, de mil euros pelos serviços de transporte de doentes -, na sede de concelho e em Alvares, saneamento, abastecimento de água em Vila Nova do Ceira, cujo pavilhão desportivo "está um perigo", a sede social do Góis Moto Clube, o campo de futebol - "sem condições para os atletas" -, e a sede da filarmónica "onde chove como na rua". À margem da apresentação do rol dos problemas ficou a recomendação: "não dar chocolate, enquanto alguns precisam de pão!". Lurdes Castanheira, presidente da Câmara de Góis, entendeu a "mensagem", mas sempre foi dizendo que "não podemos responder pelo passado". Mesmo assim, assegura, "vamos honrar as expectativas criadas", ainda que a capacidade financeira da autarquia obrigue a estabelecer prioridades, tendo o desenvolvimento e o aumento de qualidade de vida da população como objectivo. O pavilhão desportivo de Vila Nova do Ceira, a sede da Associação Educativa e Recreativa de Góis e o campo de futebol "são preocupações" de quem assumiu o poder "há 32 dias", acrescentando ainda a Casa Municipal da Cultura, as instalações dos bombeiros em Góis e Alvares e os Paços do Concelho, cuja falta de condições obrigou à distribuição de vários serviços por outros tantos edifícios. O Centro Escolar de Alvares, o abastecimento de água e saneamento em Vila Nova do Ceira, o Lar de Cadafaz e as acessibilidades estão igualmente nos planos de Lurdes Castanheira, que terá de "sair do gabinete muitas vezes" para assegurar os financiamentos necessários a tantas e variadas obras. Alguma verbas terão de "vir da Europa", já que só com o orçamento da Câmara "é impensável" colocar Góis no rumo certo. Mário Nicolau in Diário das Beiras, 30/11/2009
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1 comentário:

APARTIDARIO NÃO APOLITICO disse...

Os m/ agradecimentos pela "reportagem". Queria apenas fazer uma rectificação: A ARS deve aos Bombeiros CINQUENTA MIL EUROS não os mil como, certamente por lapso, se refere.
Força Goienses. Vamos trabalhar de mãos dadas que o Concelho necessita e merece.

José Augusto