21 dezembro 2008

GÓIS ENTRE O RIO E A MONTANHA

É o título de um livro publicado em 1997 e de autoria de Ana Filomena Leite Amaral, que é dedicado “a todos aqueles que amam verdadeiramente a sua terra e pugnam pelo seu desenvolvimento.” José Cabeças, ao tempo Presidente da Câmara Municipal de Góis, admitindo a perda de “muitas memórias” em oito séculos de existência, considera que a publicação do presente livro “partindo das raízes do passado, actualiza-as num presente em mudança e visa, sobretudo, garantir a continuidade escrita de toda a história e riqueza patrimonial e cultural de Góis”. Também Armando Gualter de Campos Nogueira diz, no que considera a sua “modesta contribuição”, que “Todo o vasto concelho, durante largos anos votado ao ostracismo, caminha desde há tempos a esta parte, a passos largos, rumo ao futuro a que tem direito e os seus habitantes ambicionam. …É que não bastam as belezas naturais, o pitoresco das típicas aldeias, com as casinhas em xisto e de xisto cobertas, é necessário muito mais, e isso vai-se conseguindo graças ao esforço das autarquias, das colectividades regionalistas e, fundamentalmente, do crer e da vontade deste povo.” No Prefácio, Lisete de Matos considera que este livro “fala das múltiplas iniciativas empreendidas no quadro do processo de desenvolvimento emergente no concelho, das gentes, da história, do património cultural nas suas diferentes expressões, dos recursos endógenos” e também “de potencialidades que os góienses saberão aproveitar e de constrangimentos que saberão ultrapassar.” “O associativismo e o regionalismo sempre foram realidades marcantes no concelho. Basta verificar que toda e qualquer pequena aldeia conta com uma ou mais comissões de melhoramentos. Estas associações são absolutamente fundamentais para o desenvolvimento local, contribuindo para a formação e participação activa dos cidadãos na vida da sua terra, enraizando-os e comprometendo-os com ela”, afirma a autora a páginas 47. Um pouco mais à frente (páginas 65 a 67) historia o nascimento da freguesia do Colmeal – 16 de Novembro de 1560, a sua localização e o seu património. “Os habitantes desta freguesia são na maioria reformados, que vivem da sua pensão e duma agricultura e pastorícia de subsistência. Também aqui, as várias Comissões de Melhoramentos promovem a melhoria das condições de vida nos seus lugares. Destacamos nesta freguesia, a União Progressiva da Freguesia do Colmeal. Muitas das pessoas que dinamizam estas comissões encontram-se a viver em Lisboa, para onde migraram na busca de melhor futuro, sobretudo em meados do século. Existe hoje, na capital, uma autêntica colónia de guardas-nocturnos oriundos do Colmeal e também de Cadafaz. Para evitar a desertificação e atrair população jovem, a Junta tem vários projectos em curso. Nomeadamente no âmbito do turismo, como seja o embelezamento das praias fluviais, que constituem um grande atractivo da zona, o restauro e a reactivação dum moinho de água comunitário do século XVII, para testemunhar como funcionava, a limpeza da Levada dos Mouros e a divulgação da sua lenda, a exploração da Mina da Alfândega como pólo turístico, bem como do Poço da Cortada, onde o rio foi cortado a meio, e a respiração de quem lá vai se suspende com o espectáculo de tão rara e imponente beleza.” Depois de se referir aos Projectos de Florestação e de Beneficiação, a autora considera que “A acção social também merece atenção por parte da Junta de Freguesia, através do Projecto de Luta Contra a Pobreza, subsidiado pelo Estado, que contempla todo o tipo de assistência, sobretudo às mulheres e jovens na procura de emprego, de forma a criar condições para que as pessoas não abandonem a sua terra e as que já o fizeram mantenham as suas habitações e regressem, pelo menos na idade da reforma.” Ana Filomena Leite Amaral termina dizendo que “Esta freguesia distribui todos os anos um importante bodo de remota origem, a que as sucessivas gerações têm dado cumprimento, o qual corresponde a uma promessa feita a S. Sebastião para que intercedesse a favor das gentes da freguesia dizimadas por uma epidemia. E mais uma vez o sagrado se funde com o profano, numa espécie de aliança que ultrapassa quaisquer especulações teóricas, pois esta é a genuína religiosidade do povo.” Nas “últimas palavras”, a autora e “porque estas palavras devem ser breves”, expressa a sua “vontade de que todos os leitores deste livro, goienses ou não, se apaixonem por esta terra, entre o rio e a montanha, que os deuses quiseram coroada com o Penedo e povoada de todas as maravilhas que só um acto de amor pode criar e outro acto de amor, maior, fazer crescer.” Góis, entre o Rio e a Montanha visa contribuir para a afirmação da identidade de uma terra cuja origem é anterior à formação de Portugal. Para que fique a saber mais sobre o nosso concelho, aconselhamos a leitura deste pequeno livro que poderá solicitar na Biblioteca da União, no Colmeal. A. Domingos Santos

1 comentário:

Anónimo disse...

Livro interessante que vale a pena ler.
No que respeita à freguesia do Colmeal, surgem duas pequenas falhas, cuja culpa não caberá naturalmente à sua autora, mas que resultará da informação que lhe terá sido dada:
a capela da Candosa não pertence à freguesia e a "Nossa Senhora da Amargura" aparece com regularidade na informação turística sobre o concelho de Góis, quando na realidade e todos o sabemos, se trata de "Senhor da Amargura", no masculino.